A diversidade é uma das palavras-chave quando pensamos em todas as formas de vida que existem, e os répteis são um exemplo disso mesmo, arranjam maneiras de sobreviver, algumas bastante extraordinárias e especializadas, e todos, mas todos os seres vivos, são inevitavelmente importantes para o equilíbrio dos ecossistemas, e se pararmos para pensar no assunto, vemos que não é necessário ter um conhecimento absoluto sobre cada um deles, mas muitas vezes é estritamente importante abrir a mente e obter conhecimentos, de maneira a não termos atitudes incorretas e injustas para com os animais, em geral, e em particular os que não são “fáceis de se gostar”, pela sua cor, pelo seu aspeto, pelos seus mecanismo de defesa muitas vezes incompreendidos, pelos seus hábitos, e por muitas vezes terem que passar a barreira formulada pelos humanos, e conviverem bem perto de nós, pois, afinal, nós é que invadimos o ambiente deles, mas achamos que eles é que não estão no local que devem estar, mas atenção, nem sempre há escolha, pois o seu habitat natural é muitas vezes destruído, e estes pela sua luta diária, fazem o que mais sabem e são obrigados a fazer constantemente: Sobreviver.

É por tudo isso que hoje vos trago um exemplo muito particular. Sabias que existem répteis que adotaram técnicas de escavação bastante impressionantes? Agora talvez perguntes, se estou a falar de cobras ou talvez lagartos? Na realidade, não são cobras, nem lagartos! Têm de nome: anfisbenídeos! Conheces? Será que já tiveste a sorte de observar um destes répteis? Se sim, fantástico, pois não são fáceis de observar! Vamos descobrir mais sobre estes animais interessantes com um modo de vida bastante curioso neste artigo!

Photo taken in Alhaurín de la Torre (Málaga, Spain)

Photo taken in Alhaurín de la Torre (Málaga, Spain)

De facto, estes seres vivos são os únicos répteis verdadeiramente fossadores, e isto mesmo pelo significado da palavra em si, eles escavam galerias subterrâneas, muitas vezes em solos bastante consistentes, fazem isso com a ajuda da sua cabeça muito rija, sendo desprovidos de canais auditivos externos, e as suas narinas estão orientadas para trás, uma forma de não serem tapadas pela areia quando estão a escavar o solo, pois com o efeito da pressão são inevitavelmente fechadas. Mas como?! Como é que estes répteis conseguem sobreviver assim? São dotados de características incríveis que lhes proporcionam tal feito, como a redução do pulmão direito, e a baixa necessidade de oxigénio durante o repouso. Debaixo da terra os seus movimentos são bastante peculiares, este animal tem a habilidade de se conseguir deslocar no interior dos seus túneis subterrâneos, tanto para frente como para trás! Maioria destes animais são desprovidos de membros anteriores e posteriores, no entanto, e como sempre, há exceções, existem anfisbenídeos que conservaram as patas anteriores, ajudando-os a deslocar-se, empurrando a terra. Ora, e os que não têm patas, como fazem? Algumas espécies após enterrarem a sua cabeça no solo usam os seus músculos para empurrar a terra para cima e para baixo, como se estivessem constantemente a dizer “sim” com a cabeça! Os seus olhos bastante reduzidos são cobertos por uma pele transparente. E, por curiosidade, a sua cauda e cabeça são bastante confundíveis, por isso é que em alguns locais são chamados de “cobras de duas cabeças”! Não se deixem enganar pelo seu corpo vermiforme, pois estes répteis, observados por vezes por algumas pessoas que os podem confundir com minhocas grandes, são na realidade predadores de minhocas! Artrópodes e muitas vezes até de pequenos roedores! Eles consegue detetar as suas presas pelo cheiro, e por um tímpano especial que estes animais possuem situado na parte lateral das maxilas, conseguindo captar sons, e por fim capturar as suas presas. Também eles são alimento de muitas aves, e até de algumas cobras! Pois apesar de serem excelentes fossadores, estes animais são bastante vulneráveis fora do seu meio natural. São também muito territoriais, apesar de não se tratar de um réptil venenoso, este possui dentes e como tal, se tiver que se defender vai utilizá-los, e pode desferir uma dentada. Por isso, primeiro que tudo há que ter respeito pelos animais, pois, mesmo que não sejam dotados de veneno, estes têm outros meios de defesa, e para sobreviver, vão com certeza utilizá-los. Não farias o mesmo?

Em Portugal, um anfisbenídeo, com distribuição restrita à Península Ibérica, vulgarmente designado por “cobra-cega” é o (Blanus cinereus), este animal, tem a capacidade de amputar voluntariamente a sua cauda quando se sente ameaçado, ou seja, consegue fazer autotomia, tema que abordei no artigo anterior.

Há sempre mais para descobrir sobre este fantástico mundo dos répteis, fica a saber mais, nos próximos artigos do reptilário!

 

 

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